CEPERF - Consultoria de Excelência em Performance de Futebol

466586 visitantes
PREPARAÇÃO FÍSICA FUTEBOL / GESTÃO & CONSULTORIA ESPORTIVA / PROJETOS ESPORTIVOS / CURSOS, PALESTRAS & TREINAMENTOS

Notícias »

CULTURA POLÍTICA E DO FUTEBOL BRASILEIRO: Clubes X CBF/Federações/Globo

 

 

 

CULTURA POLÍTICA E DO FUTEBOL BRASILEIRO:

CLUBES x COALIZÃO CBF/FEDERAÇÕES/GLOBO

 

O Futebol reflete a cultura e o processo histórico de nossa sociedade. Somos frutos de uma sociedade paternalista, moldada por gestos políticos e não afeita ao debate e ao confronto de ideias, assim sendo, não enxergamos com bons olhos aqueles que questionam o status quo, que dizem o que pensam. Por exemplo, se nos oferecem uma comida que não gostamos, não temos a coragem/sinceridade de simplesmente dizer que não gostamos... Elogiamos algo que não nos agrada apenas para demonstrar polidez, educação... E assim acontece em inúmeras áreas e situações.

 

Vemos na cultura europeia, germânica e anglo-saxônica, principalmente, um proceder mais franco em que as ideias são confrontadas sem gerar maiores melindres. Na "Câmara dos Comuns" da Inglaterra por exemplo, onde os políticos de situação e oposição se acomodam em lados opostos, mas bem próximos e de frente uns para os outros, "olho no olho", os debates são muitas vezes intensos e acalorados, mas sem que as partes confrontadas os considerem como meros ataques de cunho pessoal. Trata-se de uma compreensão madura do que seja a democracia em seu estado mais desenvolvido, o que demanda o amadurecimento da democracia em si e das instituições através das gerações na construção e aperfeiçoamento da sua cultura.

 

Creio piamente e, talvez, até ingenuamente também, no PODER DE CONVENCIMENTO DAS BOAS IDEIAS! Na união de forças, mesmo adversárias, na busca por um bem comum (cobeligerância). Ainda acredito que o bem sempre vence e que fazer o que é bom e justo é o que realmente importa! Talvez eu ainda queira mudar o mundo!

 

No ambiente do futebol nacional, há temas que são evitados e silenciosamente considerados tabus, imperando assim uma política do fingir que não se vê e do silencio em relação a, por exemplo: Corrupção, pedofilia, nepotismo, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, suborno, propina, arbitragens venais, manipulação de resultados, privilégios de grupos poderosos, o enriquecimento repentino e suspeito de alguns dirigentes, a pouca transparência e pouca democracia, dentre outros. Quem questiona ou denuncia é mal visto e pode ser colocado numa "geladeira". Tudo para que o estado de coisas se perpetue e continue beneficiando determinados grupos encastelados no poder.

 

Em suma, quem tem a "boquinha", a "caneta", o poder de decisão, não os larga por nada neste mundo! O poder constituído através de coalizões de forças e interesses dos mais diversos, se eterniza escorado em uma legislação arcaica e que existe exatamente para blindar estas elites de obrigações que seriam mais do que justas e óbvias: Democratização, transparência, alternância de poder, prestação de contas, responsabilidade fiscal, modernização das estruturas políticas e administrativas, assim como do arcabouço jurídico para que conceda liberdade aos verdadeiros atores (atletas, treinadores e clubes) para constituírem suas ligas, seus calendários e horários de jogos de modo racional a fim de preservar a integridade dos atletas e, consequentemente, melhorando a qualidade dos espetáculos, maiores públicos, maiores cotas, maiores patrocínios, os melhores atletas, mais negócios... Pelo contrário, o que se vê é a esfera política ainda onipotente em relação às esferas técnica e administrativa. Quem tem o poder, quase que absoluto, ainda são os cartolas, geralmente gente que veio da política, seja de fora ou de dentro das instituições esportivas, muitas vezes através de conchavos e troca de favores, de apadrinhamentos os mais diversos e que, realmente acredita, que gostar é a mesma coisa que entender de futebol...

 

Não entro no mérito para julgar pessoas! Meu dever é, como tenho feito nos últimos anos, apenas com a "cara e a coragem", debater o futebol brasileiro para que este se desenvolva plenamente! Sem amarras, sem retrocessos, sem artimanhas jurídicas criadas para a mera e simples preservação do poder estabelecido.

 

Meu sonho de consumo: Quero um Futebol Brasileiro mais justo, mais digno, mais inteligente e que seja bom para a maioria dos que nele militam e não apenas para uma elite no melhor estilo das oligarquias coronelistas que tanto mal fizeram e ainda fazem ao país! Por uma Lavajato no futebol já! "Prá ontem"! Pois, sabemos que em algumas esferas, o futebol chega a ser tão sujo quanto Brasília e a política nacional! Fato! Dentro deste meu sonho/projeto de vida profissional, para o qual venho me preparando com todo o empenho, estão também metas para me tornar o Gestor/Executivo de futebol que mais entenda e, de modo profundo, todas as áreas do futebol! São metas altas, com certeza, mas que me movem e estimulam pelo simples fato de serem honestas, corretas e necessárias! Em conversa com um amigo famoso do futebol, o mesmo me mostrou a importância de não esmorecer! De manter aceso o desejo sincero de fazer algo inovador, reconhecido... Enfim, o sonho de realmente deixar um legado!

 

A recente artimanha da CBF em mudar o seu estatuto, dando poder de voto aos clubes da Série B, mas ao mesmo tempo aumentando o peso do voto de cada federação, é escancaradamente uma estratégia para manutenção de seu exagerado poder.

 

Se antes já era difícil uma real possibilidade de vitória para os clubes numa disputa com a CBF, já que os 20 clubes da Série A tinham o mesmo peso (1) nos votos que as 27 federações estaduais, agora ficou ainda mais difícil! Em assembleia realizada sem que houvesse divulgação, com a participação apenas das federações, a CBF alterou o seu estatuto de modo que, à partir de agora, cada federação passe a ter peso 3 em seu voto, o que daria um total de 81 votos. Os clubes, por sua vez, passam a ter peso 2 para os da Série A e, numa manobra para dizer que não pensou nos clubes, deu poder de voto com peso 1 para os clubes da Série B, o que daria um máximo de 60 votos caso os clubes se unissem! Ou seja, como cada presidente de federação recebe um salário/prêmio/mesada de R$50.000,00/mês da CBF, fica difícil imaginar que alguma das federações, que já comem na mão da CBF desde sempre, possa vir a votar contra a mesma!

 

Os clubes, por conta única e exclusivamente de sua desunião, de sua falta de coragem e de visão, perderam o bonde da história! Perderam a única oportunidade real de mudança que ainda existia por via legal/institucional! Já que havia uma clara fragilidade da CBF após o fiasco na Copa/2014, as multas a Ricardo Teixeira, a prisão de Marin e as denúncias do FBI contra Del Nero, suspeito de corrupção.

 

Assim, aproveitando o momento de soerguimento da seleção brasileira comandada por Tite, a cúpula da CBF alterou o estatuto e manteve ainda a cláusula de barreira que dificulta uma candidatura avulsa e/ou apoiada pelos clubes. Além disso, os clubes também continuarão não tendo voz ativa nas alterações do estatuto! Em suma, o jogo é jogado... e ele é sujo e pesado!

 

A não ser que haja uma pouco provável intervenção federal, o que já seria complicado por ser inconstitucional, a única chance para se vislumbrar alguma possibilidade de libertação dos clubes deste jugo da coalizão CBF/Federações/Globo, seria através da ruptura! Ou seja, nenhuma chance de mudança enquanto os clubes não se rebelarem de vez, dispostos a pagar o preço das possíveis retaliações da CBF e FIFA.                       

 

A CBF, entidade privada sem fins lucrativos, infelizmente é mesmo blindada pela legislação e estrutura das entidades que regem o nosso futebol. Fato!                       

 

Imaginem então o seguinte quadro: Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro... Enfim, os grandes clubes do futebol brasileiro (pelo menos uns 10 deles), se unem e decidem criar de vez a sua própria liga... Ruptura com as federações e CBF... Mantendo-se firmes contra as inevitáveis retaliações, represálias, punições advindas de Federações, CBF, Conmebol e FIFA... Apoio maciço aos clubes por parte da mídia esportiva formadora de opinião... Consequente apoio popular...                       

 

Alguém acredita mesmo que FIFA/Conmebol/CBF não dariam logo um jeito de buscar um consenso, já que elas não podem abrir mão do futebol brasileiro? Futebol brasileiro que é representado, em sua essência, por seus grandes clubes... Tradicionais, históricos, de prestígio internacional, vitoriosos, de camisa, de massa... e que, certamente, receberiam apoio dos grandes clubes do futebol mundial!                     

 

Nossos clubes não sabem a força que tem! Ou, até sabem, mas não se unem por um bem comum... Cada um pensa só em si mesmo!                       

 

A questão toda é de PODER... Quem está lá no topo, mandando de modo quase onipotente, não está disposto a abrir mão dele, nem de reduzi-lo! Não de maneira pacífica! Por isso é necessária a ruptura contra a coalizão dos entes mandatários/detentores deste poder!                       

 

Não tem uma frase famosa do Ulysses Guimarães: "A única coisa que põe medo em político, é povo nas ruas!"?! Neste caso, aplicado ao futebol, seria a mesma coisa: União e rebelião dos clubes + Apoio da mídia + Torcida nas ruas = Cartolas de federações/CBF/FIFA com medo e se mobilizando para, "abrindo mão dos dedos, ver se conseguem continuar pelo menos com o braço"!                       

 

Acredito que mesmo no curto prazo, os chefões do futebol teriam que abrir mão de muito deste seu exagerado poder!                        

 

Não sei se estarei vivo até lá para presenciar algo assim tão utópico, pois não temos ainda uma cultura politizada e de união de forças por um bem comum, mas o mais frustrante, é sabermos que seria perfeitamente possível fazermos um país e um futebol melhor!

 

Francisco Ferreira

 

Gestor Esportivo / Executivo de Futebol

 

www.ceperf.com.br

Fonte: www.ceperf.com.brvoltar

Comentários


  • Você pode ser o primeiro a comentar



Envie seu comentário